domingo, 28 de março de 2010
Meu processo de escrita.
Estou sentada há dez mintos na frente do computador, tenho algumas idéias e muitos receios. Estou um pouco cansada de não me focar no que realmente é para escrever aqui neste blog, por isso vou pelo básico: como se escreve? Como eu escrevo? Um cantinho um violão, esse amor, uma canção. Eu escrevo pra fazer feliz a quem me ama, como diria meu grande mestre Tom. Para escrever é preciso achar a música certa, o tom exato. O sibilar precisa sair do corpo, às vezes como suor, às vezes em forma de lágrima. Isso talvez seja o que muitos chamam de inspiração, mas para mim é só saber escutar o zunido que a vida provoca. Saber escrever, antes de tudo, é saber olhar a vida, respirá-la, inspirá-la. Ainda mais, é saber se olhar, se respirar, se inspirar. O sertão é dentro da gente, eu já me apropriei. Escrever é copiar, antropofazijar, deixar que as palavras ganhem novos significantes e significados. Se estender para além do corpo, minhas extremidades de nanquim. Eu saio borrando tudo por aí. Quero ter o mundo nas mãos, por isso escrevo. Quero criar meu próprio mundo, me travestir de quem eu sou, deixar escapar o que sinto. Tenho o poder de transformar meus medos, construir minhas próprias verdades. Me deixo ser o que não sou, para assim chegar a ser. Escrevo para ser palpável.

4 comentários:
Lau!
Seus textos são lindos, cheios de profundidade, sinceridade, cheios de você..
Sempre me tocam, me emocionam, me envolvem..
Você vai longe menina!!
Laura, muito lindo seu texto, concordo com a Camila. Quando você diz "Quero criar meu próprio mundo, me travestir de quem eu sou, deixar escapar o que sinto.", expressa o desejo do texto subjetivo, poético. E parece , assim, rejeitar (ou resistir a) a ideia de produzir a reflexão acadêmica que que exige linguagem objetiva, muitas vezes centradas em questões pré-estabelecidas. Que luta! É assim?
Como você acha que pode juntar o desejo de construir suas próprias verdades com a expectativa da escola de desenvolvimento de um discurso acadêmico? Como conciliar o desejo e a necessidade? Essa é uma questão muito importante para seu posicionamento como estudante, percebe?
Beijo, Márcia.
Se é que me permite, ao ler este seu texto veio forte em mim uma sensação que tenho ao escrever de forma satisfatória à preencher minha intenção. E então fiz uma reflexão:
As seis primeiras linhas ainda estavam como água presa em uma barragem, daí em diante veio a enxurrada de idéias transformadas em palavras, as quais começaram a escorrer de tal maneira, que se fez necessário ser mais veloz que a própria mão para não deixar escapar uma gota entre os vãos dos dedos, parece que não houve pausa, não houve muito tempo de razão, foi puro sentimento, energia e explosão.
Adorei.
Beijos.
Rsrsrsr... a postagem a cima é minha, entrou com a conta do meu marido..não me dei conta! Foi mal..rsr
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