quarta-feira, 23 de junho de 2010

Resposta do Seminário 1

 A escrita cuneiforme possibilitou maiores nuances de sentidos e matizes de significados, possibilitando assim o registro de uma literatura muito mais rica e complexa. A sofisticação na escrita aumentou muito, mas será que a escrita pode ser considerada tão rica ou eficiente quanto a nossa linguagem oral?


Acredito que não cabe colocar em oposição essas duas formas de expressão, elas não são concorrentes, ao contrário, se complementam. A escrita não terminará com a fala, nem o inverso. A linguagem oral é permeada por riquezas, que são diferentes das riquezas da língua escrita, pois são processos diferentes. Sendo assim, acredito que não se possa falar em eficiência ou riqueza de uma ou de outra.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Reflexão e resposta

O hipertexto permite uma maior facilidade quando buscamos informações pontuais em um texto. Você acredita que ele teria apenas um caráter informativo ou não? É possível obter conhecimentos mais que informativos em um hipertexto?


Acredito que a principal função do hipertexto é informativa, a final ele não é o texto em si, mas uma referência à ele. Os conhecimentos são adquiridos através do hipertexto, que é uma ferramenta. O hipertexto seria então um caminho para se chegar ao conhecimento, não o conhecimento em si.

Resumo do texto “Da internet a Gutemberg”, de Umberto Eco

     Umberto Eco faz uma analogia entre a invenção da escrita e o medo dos livros serem substituídos pela tecnologia da internet. Assim como muitos acreditavam que os livros substituiriam o pensamento, petrificando a mente, hoje em dia há um medo geral sobre a substituição dos livros impressos pelos hipertextos.
     Seu discurso caminha na direção contrária, primeiro fazendo uma rememoração da história, mostrando que os livros não foram formas de substituição do nosso pensamento, ao contrário, com eles se descobriram novas maneiras de pensar, fazendo com que hoje, eles tenham se tornado verdadeiras máquinas que nos fazem pensar ainda mais.
     Esse medo de que as novas tecnologias possam destruir nossos antigos valores, como que se para algo novo surgir fosse preciso abolir o velho, já vem de muitos séculos atrás. No século XV, acreditava-se que os livros matariam as catedrais, e o alfabeto, suas imagens, como se o livro distraísse as pessoas de seus verdadeiros valores espirituais, já que possibilitaria diversas interpretações de um mesmo tema.
     E séculos depois, nos anos 60, com a invenção da televisão, o discurso permaneceu o mesmo. O medo de que a televisão, e posteriormente o computador, pudessem dar fim aos livros, rememorava o antigo medo de que “isto matará aquilo”. Sendo as novas tecnologias mais ligadas à imagem, acabou-se por se esquecer que além de editores de imagem, os computadores vêm a ser, antes de tudo, instrumentos alfabéticos. E, se considerarmos a televisão como uma janela pela qual se vê o mundo através de imagens, na janela referente ao computador vemos o mundo principalmente através das palavras. Porém, por permitir um maior dinamismo, o computador supriria uma forma linear de escrita. Sendo assim, seria real dizer que o hipertexto substituiria os livros?
     Para iniciar tal discussão, é listada uma série de problemas e possíveis perspectivas de futuro. É certo que durante muito tempo os livros foram as principais fontes de obtenção de informação, porém com a invenção do cinema e da TV, as informações passaram a estar presentes em muitos meios de fácil acesso. Assim, a discussão não deveria se dar em caráter competitivo, mas a problemática deveria girar em torno de como melhorar ambas as comunicações, tanto a visual como a escrita.
     Porém, é certo que a comunicação visual não se dá por si só, devendo ser balanceada com a escrita, afinal ela não é capaz de dizer “não sou”, carrega consigo apenas uma idéia geral de como o que representa é. Assim, podemos dividir a sociedade em dois tipos de homem, há aquele que aceita todas as imagens pré-fabricadas de mundo, e também o que escolhe criticamente e é capaz de elaborar a informação. Como também existem dois tipos de livros, os para serem lidos e os de consulta. Os “livros de ler” seriam aqueles que pressupõem uma leitura linear, da primeira à última página. Já os livros de consulta possuem um foco específico, e quem os utiliza quer apenas sanar uma dúvida.
     Temos então um trabalho físico muito grande para, por exemplo, cruzar informações em livros de consulta. E é aí que entram os hipertextos, afinal, com eles pode-se navegar por uma enciclopédia inteira, perdendo menos tempo para obter a informação desejada.Assim, os hipertextos poderiam tornar obsoletas as enciclopédias e manuais. Porém, mesmo assim, muitos manuais ainda teriam a necessidade de serem impressos pelas facilidades de locomoção e manuseio.
     Já os textos de literatura, que não caberiam serem lidos em uma tela de computador, também já têm suas representações intertextuais, e essa nova modalidade de texto, ou hipertexto, se refere principalmente à natureza do processo de leitura. Pensando sob o ponto de vista da estrutura hipertextual, os romances de investigação podem ser construídos de maneira aberta, permitindo que o leitor construa sua própria trama. Contamos então com um texto fisicamente móvel, onde se cria a ilusão de infinitos finais, os quais, na verdade constituem um número finito de possibilidades. Assim como também, os livros móveis permitem um sem-número de interpretações, enquanto os hipertextos, por suportar todas as interpretações, não são capazes de suportar qualquer interpretação.
     Pode-se dizer que existem três idéias de hipertextos diferentes. Primeiramente, é preciso diferenciar sistema e texto. Um sistema é um conjunto de possibilidades expressado por determinada linguagem, a qual é finita, porém ilimitada. Já os textos são limitados e finitos, porém permitem um grande número de interpretações. Temos então uma terceira possibilidade, hipertextos que seriam ilimitados e infinitos, onde todo usuário pode adicionar algo novo, fazendo desaparecer assim, a noção clássica de autoria.
     Sendo assim, a cultura deverá conceber a diferença entre produzir textos infinitos e interpretar textos precisos e finitos. Com isso, caminharemos para uma sociedade onde a criatividade co-existirá com a interpretação textual, não sendo então necessária a substituição de uma coisa por outra.
     Também é certo que os computadores não substituirão o material impresso, afinal ele cria novos modos de produção e difusão de documentos impressos, encorajando assim, essa produção. Como também a linguagem, que apesar de muitas vezes se render aos códigos criados pela internet, tem profundeza e percepções maiores quanto maior seu uso.
    Com isso, pode-se dizer que a chegada de novos dispositivos tecnológicos, não obsoletam, necessariamente, os velhos, assim como a invenção do carro não inutilizou a bicicleta. Ou seja, na história da cultura nunca ocorreu uma coisa que destruísse o mais antigo, mas sim, coisas que mudaram profundamente outras.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Seminário 3 - Pergunta da Flávia

Ao conceber a atividade da leitura como sendo um diálogo que se estabelece entre o leitor e o autor através do texto, nos deparamos com uma pluralidade da leituras. Em sua opinião, quais os pontos positivos e negativos desse fato para o ensino da leitura?


Acredito que houve um desenvolvimento na questão da leitura, sendo assim, os diferentes tipos de leituras representariam as evoluções dos pensamentos no decorrer das épocas. Tivemos no seminário apresentado 3 tipos de leitura: uma com foco no texto, outra com foco no autor e uma última que propunha uma interação entre leitor - texto - autor. 
Quando lemos um texto com foco apenas nele mesmo, acabamos por desconsiderar e perder informações importantes que possam ampliar e atá totalizar seu significado. Porém, quando o foco é apenas no autor, vemos apenas uma vertente do texto e seu significado parece já ser estabelecido pelo autor. Assim, o texto nunca se desvencilha do que o autor diz, para ganhar significado próprio, ou seja, que seja completo em si mesmo.
A última concepção é uma proposta que relaciona todos os pontos que fazem parte do processo de leitura: o autor, o texto e o leitor. Com a presença do leitor interferindo diretamente no significado do texto, damos espaço para diferentes interpretações, o que é de enorme valor, pois mostra que o texto é não só completo em si, mas recheado de infinitas possibilidades e significados. 
Contudo, acredito que as duas primeiras leituras são possíveis e válidas quando se tem uma hipótese ou linha de interpretação. Acredito que o importante é saber que cada leitura tem um foco, e que, dependendo do que você deseja apreender da interpretação do texto que lê, uma é mais adequada que a outra. Afinal, ler é um exercício que pode ser feito de diversas maneiras.

Seminário 4 - Pergunta da Renata Padilha

Após o conhecimento e a reflexão sobre o processo cognitivo da escrita, quais são os benefícios deste estudo na prática da escrita?

Quando refletimos sobre o processo de aprendizagem da escrita, sobre as diferentes maneiras possíveis de se conceber um texto, além de ganharmos instrumentos que ampliem nossas possibilidades de escrever um texto, também passamos a conhecer e reconhecer nosso próprio processo, o que nos faz escrever com mais consciência. Porém, acredito que as novas informações aprendidas devem ser vistas como estímulos, já que passamos a conhecer profundamente como um texto se dá, e não limitadoras, pois se funcionarem como muros ou  caminhos já pré-estabelecidos nas suas produções de texto, acabam se tornando um aspecto negativo. Por isso, acredito que todo conhecimento adquirido deve ser visto como instrumento e não como forma pré-moldada da situação, ampliando e não podando novas possibilidades de escrita.

Seminário 2 - Pergunta da Samanta


O texto “A história da leitura”, apresenta a passagem da leitura oral para a silenciosa, colocando a leitura silenciosa em evidencia como um ganho histórico. Com base no texto e levando em consideração suas experiências pessoais, reflita sobre a diferente sensação, interpretação e atenção que se dá a um texto lido silenciosamente por você, e um lido em voz alta para você.


Quando leio um texto em minha mente, ou seja, silenciosamente, faço inúmeras pausas, sejam elas por distração ou mesmo para fazer referências e ampliar assim o significado do texto. Acredito que minha leitura silenciosa tem grande valor interpretativo. Porém, percebo que quando estou com alguma dificuldade de entendimento recorro à leitura em voz alta, como se quisesse fazer o texto saltar do papel e entrar dentro de mim. Normalmente, depois de entendido o trecho, volto a fazer a leitura silenciosa. Também é interessante lembrar que quando tenho que fazer qualquer leitura em voz alta, que não seja para mim mesma, o significado do texto fica há anos luz de distância de mim. Isso porque minha atenção está voltada para que a leitura saia perfeita e que todas possam entendê-la, a qual acaba sendo inútil para mim, pois normalmente não me lembro nem uma letra do que li. Assim como mostrou o seminário, a leitura silenciosa nos permite adentrar mais profundamente no texto, em seus diferentes tons e significados, pois o tempo de leitura quem faz é o próprio leitor.