quarta-feira, 24 de março de 2010

Uma questão de gosto.

Depois de ler o texto "Filosofia da Composição", continuei sem mudar minha opinião. Já conhecia o poema, o autor e, inclusive, este texto, talvez por isso não tenham havido grandes mudanças no meu espírito. Talvez porque  não me tenha sido uma surpresa saber como Poe compunha, talvez por não achar que saber sobre a composição deva ser relevante para a leitura do poema. Tenho comigo que em se tratando de um texto escrito, o que você quis dizer pouco importa, o importante é o que você disse. Senão, fica quase como explicar uma piada. Mas na verdade talvez isso seja pura bobagem, agora estou em lembrando de tantos outros relatos dos quais gostei muito e tiveram significativa importância na minha vida literária. Esse texto nunca teve, sua forma e seu conteúdo não me agradam, talvez seja birra, talvez seja maior que isso, seja apenas uma questão de gosto.O que quero dizer aqui, é que o meu gostar, ou nesse caso, o não gostar, não quer dizer em absoluto que eu considere o poema ruim, ou ainda que ele seja ruim de fato. Só quer dizer que não agradou  meu paladar literário. Lembro-me de quando estudei a literatura portuguesa do século XIX, e depois de um semestre inteiro de Antonio Nobre, apesar de aprender a apreciá-lo, tive um sincero lapso: eu não gosto. Acho muito bonito quando adquirimos autonomia para entender nossos gostos. Até então sempre acreditei que não gostar era sinônimo de não entender, a final eu parecia só gostar daquilo que entendia. Eu precisei de anos de estudo para descobrir que eu posso me erguer e sem medo algum, expor meu gosto, meu agrado. Não gostar é a melhor maneira descobrir-se. 

Um comentário:

Márcia Fortunato disse...

Laura, interessante seu comentário. É preciso apenas lembrar que nosso propósito no curso não é escrever ou ler textos literários e apreciá-los, portanto não estamos aprendendo a escrevê-los nem discutindo como ler literatura. Não estamos numa oficina de literatura. O gosto pessoal pelo material lido é mesmo subjetivo e deve ficar nesse lugar, pode ser comentado, mas não é nosso foco. Nosso propósito é pensar sobre como se escreve e como se lê (qualquer texto). Quais são as habilidades em jogo em cada uma dessas atividades? Por isso estamos lendo textos diversos, inclusive relatos de escritores, e procurando extrair de cada um o que nos parece viável enquanto conhecimento acerca dos procedimentos que usamos para ler o escrever (qualquer texto). Na proposta de leitura do Poe não havia qualquer pressuposto de que a "Filosofia da composição" poderia "melhorar" a leitura do poema. Procurei deixar isso muito claro na última aula, pena que você não estivesse lá para fazer suas colocações. Se você tem mais alguma dúvida, leve para a próxima aula.
Beijo, Márcia.