quinta-feira, 17 de junho de 2010

Resumo do texto “Da internet a Gutemberg”, de Umberto Eco

     Umberto Eco faz uma analogia entre a invenção da escrita e o medo dos livros serem substituídos pela tecnologia da internet. Assim como muitos acreditavam que os livros substituiriam o pensamento, petrificando a mente, hoje em dia há um medo geral sobre a substituição dos livros impressos pelos hipertextos.
     Seu discurso caminha na direção contrária, primeiro fazendo uma rememoração da história, mostrando que os livros não foram formas de substituição do nosso pensamento, ao contrário, com eles se descobriram novas maneiras de pensar, fazendo com que hoje, eles tenham se tornado verdadeiras máquinas que nos fazem pensar ainda mais.
     Esse medo de que as novas tecnologias possam destruir nossos antigos valores, como que se para algo novo surgir fosse preciso abolir o velho, já vem de muitos séculos atrás. No século XV, acreditava-se que os livros matariam as catedrais, e o alfabeto, suas imagens, como se o livro distraísse as pessoas de seus verdadeiros valores espirituais, já que possibilitaria diversas interpretações de um mesmo tema.
     E séculos depois, nos anos 60, com a invenção da televisão, o discurso permaneceu o mesmo. O medo de que a televisão, e posteriormente o computador, pudessem dar fim aos livros, rememorava o antigo medo de que “isto matará aquilo”. Sendo as novas tecnologias mais ligadas à imagem, acabou-se por se esquecer que além de editores de imagem, os computadores vêm a ser, antes de tudo, instrumentos alfabéticos. E, se considerarmos a televisão como uma janela pela qual se vê o mundo através de imagens, na janela referente ao computador vemos o mundo principalmente através das palavras. Porém, por permitir um maior dinamismo, o computador supriria uma forma linear de escrita. Sendo assim, seria real dizer que o hipertexto substituiria os livros?
     Para iniciar tal discussão, é listada uma série de problemas e possíveis perspectivas de futuro. É certo que durante muito tempo os livros foram as principais fontes de obtenção de informação, porém com a invenção do cinema e da TV, as informações passaram a estar presentes em muitos meios de fácil acesso. Assim, a discussão não deveria se dar em caráter competitivo, mas a problemática deveria girar em torno de como melhorar ambas as comunicações, tanto a visual como a escrita.
     Porém, é certo que a comunicação visual não se dá por si só, devendo ser balanceada com a escrita, afinal ela não é capaz de dizer “não sou”, carrega consigo apenas uma idéia geral de como o que representa é. Assim, podemos dividir a sociedade em dois tipos de homem, há aquele que aceita todas as imagens pré-fabricadas de mundo, e também o que escolhe criticamente e é capaz de elaborar a informação. Como também existem dois tipos de livros, os para serem lidos e os de consulta. Os “livros de ler” seriam aqueles que pressupõem uma leitura linear, da primeira à última página. Já os livros de consulta possuem um foco específico, e quem os utiliza quer apenas sanar uma dúvida.
     Temos então um trabalho físico muito grande para, por exemplo, cruzar informações em livros de consulta. E é aí que entram os hipertextos, afinal, com eles pode-se navegar por uma enciclopédia inteira, perdendo menos tempo para obter a informação desejada.Assim, os hipertextos poderiam tornar obsoletas as enciclopédias e manuais. Porém, mesmo assim, muitos manuais ainda teriam a necessidade de serem impressos pelas facilidades de locomoção e manuseio.
     Já os textos de literatura, que não caberiam serem lidos em uma tela de computador, também já têm suas representações intertextuais, e essa nova modalidade de texto, ou hipertexto, se refere principalmente à natureza do processo de leitura. Pensando sob o ponto de vista da estrutura hipertextual, os romances de investigação podem ser construídos de maneira aberta, permitindo que o leitor construa sua própria trama. Contamos então com um texto fisicamente móvel, onde se cria a ilusão de infinitos finais, os quais, na verdade constituem um número finito de possibilidades. Assim como também, os livros móveis permitem um sem-número de interpretações, enquanto os hipertextos, por suportar todas as interpretações, não são capazes de suportar qualquer interpretação.
     Pode-se dizer que existem três idéias de hipertextos diferentes. Primeiramente, é preciso diferenciar sistema e texto. Um sistema é um conjunto de possibilidades expressado por determinada linguagem, a qual é finita, porém ilimitada. Já os textos são limitados e finitos, porém permitem um grande número de interpretações. Temos então uma terceira possibilidade, hipertextos que seriam ilimitados e infinitos, onde todo usuário pode adicionar algo novo, fazendo desaparecer assim, a noção clássica de autoria.
     Sendo assim, a cultura deverá conceber a diferença entre produzir textos infinitos e interpretar textos precisos e finitos. Com isso, caminharemos para uma sociedade onde a criatividade co-existirá com a interpretação textual, não sendo então necessária a substituição de uma coisa por outra.
     Também é certo que os computadores não substituirão o material impresso, afinal ele cria novos modos de produção e difusão de documentos impressos, encorajando assim, essa produção. Como também a linguagem, que apesar de muitas vezes se render aos códigos criados pela internet, tem profundeza e percepções maiores quanto maior seu uso.
    Com isso, pode-se dizer que a chegada de novos dispositivos tecnológicos, não obsoletam, necessariamente, os velhos, assim como a invenção do carro não inutilizou a bicicleta. Ou seja, na história da cultura nunca ocorreu uma coisa que destruísse o mais antigo, mas sim, coisas que mudaram profundamente outras.

Um comentário:

Márcia Fortunato disse...

Bom resumo! Você soube evidenciar muito bem a questão debatida por Eco, em um texto muito bem escrito.
Beijos, Márcia.