terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Preciosa, impossível não sentir.

AOS ESFARRAPADOS DO MUNDO
E AOS QUE NELES SE
DESCOBREM E, ASSIM
DESCOBRINDO-SE, COM ELES
SOFREM, MAS, SOBRETUDO, 
COM ELES LUTAM.
Paulo Freire.

Falar de "Preciosa" é difícil, sentir "Preciosa" é pior ainda. Uma negra, gorda, analfabeta, abusada, maltratada, com dois filhos e nenhuma perspectiva. O amontoado de clichês nos fazem obter a altura necessária para saltar o muro do senso comum. O mergulho na realidade da triste Clareece, é um mergulho para dentro de nossos próprios monstros. Muito mais complexo do que a tela plana do cinema permite, o filme escarra toda a violência à qual Clareece está sujeita. Não há saídas, não existem becos em que possa se esconder. A única fuga possível é encontrar-se. É  perceber-se dentro de um mundo em que não há espaço para ser ou sentir, descobrir-se numa escola alternativa para alunos problemáticos no Harlem. Em busca de tudo e qualquer coisa, a presença da professora Rain se dá como um suspiro, aquela primeira bolha de ar que sai da garganta depois de muito tempo sem respirar. A cada palavra ensinada, a cada letra aprendida, a consciência de que as grandes jornadas começam com passos curtos. Aos poucos, Clareece aprende a determinar os limites para sua própria dor. O sofrimento de quem sabe e vê, de quem não é mais um cachorro cego vagando pelas ruas, confundindo chutes com carinho. A professora Rain foi um ponto de luz para Clareece, Clareece não foi uma escolha para  a professora Rain."Preciosa" é um filme sobre a esperança dos que não podem esperar, sobre como mãos se apoiam e se levantam, sobre a dificuldade de se parir o amor.

3 comentários:

Márcia Fortunato disse...

Laura, interessante sua resenha, gostaria apenas de sugerir que você incluísse um comentário seu dizendo por que fez essa escolha, o que motivou sua primeira postagem. Além disso, seria interessante dar algumas informações técnicas sobre o filme: data de produção, diretor, atores principais, por exemplo.
Beijo, Márcia.

Flavia disse...

Laura, gostei muito de suas observações a respeito do filme e fiquei muito interessada em assisti-lo.
abraços
Flavia Marcomini

Camila disse...

Lau!
Amei sua resenha/artigo!!
Muito humano, profundo, muito convincetente!

Estou com muita vontade de ver!
Parece ser um filme que retrata de verdade o amor; muitas vezes dorlorido de dar, mas sempre transformador.(para que dá e quem recebe)

Parece ser um filme que definitivamente não nos deixar sair iguais!

Parabéns! Você se expressou muitoo bem!
Muito profissional!